
O Governo do Espírito Santo anunciou, na última terça-feira (28), um investimento superior a R$ 300 milhões em Ciência, Tecnologia, Inovação (CT&I) e Extensão para 2026.
A iniciativa é um marco para o desenvolvimento do estado, com a previsão de lançamento de 34 editais ao longo do ano, sendo 12 inéditos, o que amplia de forma significativa as oportunidades para estudantes, pesquisadores e empreendedores capixabas.
O anúncio ocorreu durante evento promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), na Cidade da Inovação, em Vitória, reunindo representantes da academia, do setor produtivo e do ecossistema de inovação.
Segundo o diretor-geral da Fapes, Rodrigo Varejão, o volume recorde de recursos fortalece o fomento à ciência e impulsiona a consolidação de um ambiente inovador no estado, com foco na formação de talentos, no estímulo à aplicação do conhecimento e na ampliação da presença internacional da produção capixaba.
Realizamos mais um importante evento de lançamento de editais da Fapes, com iniciativas inéditas e um volume recorde de recursos. Com isso, fortalecemos o fomento a um ecossistema de ciência, tecnologia e inovação em constante crescimento”, destacou Rodrigo Varejão.
Os investimentos contemplam eixos estratégicos como bolsas de formação, pesquisa científica, difusão do conhecimento, extensão tecnológica, inovação e internacionalização. Os recursos têm origem no Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia (Funcitec) e no Funcitec/MCI – Mobilização Capixaba pela Inovação.
Até o momento, oito editais já foram lançados em 2026, e novas chamadas foram apresentadas durante o evento, incluindo iniciativas inéditas como o Doutorado Sanduíche e o programa Dr. Empreendedor Capixaba, voltado à transformação do conhecimento científico em soluções de mercado.
Para o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti), Jales Cardoso, o investimento reforça o compromisso do estado com um modelo de desenvolvimento baseado no conhecimento.
Como parceira da Fapes, a Secti trabalha lado a lado para fazer com que esses recursos cheguem a quem realmente precisa: pesquisadores, estudantes e projetos que fazem a diferença no dia a dia das pessoas.”
A estratégia busca transformar recursos públicos em oportunidades reais, com impacto direto na economia e na qualidade de vida da população.
O caminho da prosperidade
A ciência, a tecnologia e a inovação ocupam posição central no crescimento econômico sustentável. Estados e países que investem em CT&I ampliam sua competitividade, atraem investimentos, estimulam a geração de empregos qualificados e fortalecem sua soberania tecnológica. Nesse cenário, o setor de Tecnologia da Informação (TI) assume papel decisivo, pois sustenta a digitalização da economia e conecta diferentes cadeias produtivas.
No Espírito Santo, a Associação Capixaba de Tecnologia (Act!on) destaca-se como um dos principais agentes de conexão do ecossistema de inovação. A instituição atua de forma estratégica ao aproximar empresas, governo e instituições de ensino, além de fomentar negócios, promover eventos e ampliar a inserção das empresas capixabas em mercados nacionais e internacionais.
Franco Machado, diretor da Act!on e CEO da Mogai Tecnologia, destaca o papel estratégico da Act!on em preparar as associadas para os editais de fomento à inovação no desenvolvimento de empresas de base tecnológica capixabas. A Mogai, segundo ele, já participou dos programas Tecnova 1 e 2 e se prepara para submeter novos projetos ao edital Nova Economia Capixaba.
As deep techs, empresas de base científica e tecnológica que desenvolvem soluções inovadoras para problemas complexos, levam mais tempo para maturar, porém constroem o futuro. O apoio da Fapes é fundamental, porque essas empresas não conseguem investir por anos sem faturar”, afirma.
Franco relembra que o Espírito Santo foi um dos pioneiros nesse movimento.
A Lei da Inovação é de 2006, e já em 2008 a Fapes lançou um edital de subvenção, sendo uma das primeiras do Brasil a apoiar esse tipo de empresa.”
Ele também ressalta a importância da conexão entre empresas e academia:
Quando você desenvolve tecnologia junto com a academia, constrói uma inovação difícil de ser copiada. Isso coloca a empresa em um ‘oceano azul’, com mais chances de crescer e prosperar.”
Na visão do diretor, os editais são essenciais para fortalecer o setor de tecnologia local e construir um futuro próspero.
Se o setor de TI capixaba não buscar evolução, será superado por outras empresas e perderá mercado. Esses programas aumentam a longevidade das empresas, e, também, incentivam novos empreendedores.”
Franco destaca ainda que a Fapes atua em diferentes estágios do empreendedorismo:
Há iniciativas desde o edital Centelha, para quem ainda nem tem CNPJ, até editais mais robustos, como o Nova Economia Capixaba, e outros voltados somente à internacionalização de empresas mais maduras. Isso mostra um olhar completo para o ecossistema.”
Por fim, ele reforça a necessidade de posicionar o Espírito Santo como um polo tecnológico:
Somos menos de 3% da população brasileira, com um mercado interno muito pequeno, e, por isso, nossas empresas precisam buscar o mercado externo. Precisamos gerar riqueza, exportar tecnologia e criar empregos qualificados. O setor de tecnologia tem salários mais altos e maior valor agregado. É esse o caminho que pode transformar o estado em um verdadeiro hub de inovação”, finaliza.
Entre os resultados já alcançados com o apoio da Fapes, outros projetos capixabas ganham destaque dentro e fora do país. A startup SymbioTech desenvolveu uma nova classe de fertilizantes biológicos voltados à agricultura sustentável e estabeleceu parcerias internacionais.
Já o aplicativo criado pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), voltado à sustentabilidade no setor de rochas ornamentais, permite análise do ciclo de vida dos materiais e amplia a competitividade de um dos segmentos mais relevantes da economia capixaba no mercado global.
O conjunto de iniciativas evidencia uma política consistente de incentivo à inovação. Com planejamento, investimento e articulação entre os atores do ecossistema, o Espírito Santo consolida sua posição como referência nacional em ciência, tecnologia e inovação, com impacto direto no desenvolvimento econômico e social.
Por Paixão
Conheça a lista completa com os 34 editais anunciados:
Fonte:
Comunicação Institucional da Fapes
Entrevista Franco Machado
